Por Kenneth Stein
Professor de História do Oriente Médio
e Ciência Política na Emory
University
Sob uma perspectiva histórica, os
problemas domésticos e estrangeiros de
Israel não são ameaças existenciais
imediatas.
Para o estado judeu, a taça está
mais cheia que vazia, se avaliarmos as
mudanças no Oriente Médio durante os
últimos 100 anos.
--Em 1898, com exceção do Egito e
Pérsia, não existiam estados do Oriente
Médio contemporâneo e o Sionismo havia
acabado de nascer. O nacionalismo
árabe-palestino não era nem um sonho. E
o petróleo como um invejado recurso mal
tinha sido descoberto.
--Em 1917, a Inglaterra prometeu
facilitar o estabelecimento na Palestina
de um Lar Nacional para os judeus.
Nenhuma promessa política explícita foi
feita aos árabes locais.
--Em 1948, quando Israel foi criado, nem
os países árabes, nem Israel quiseram o
fardo de assumir os palestinos.
--Em 1978, o primeiro-ministro israelense
Menachem Begin reconheceu os direitos
políticos legítimos do palestinos.
--Em 1993, o primeiro-ministro
israelense, Yitzhak Rabin, concordou em
compartilhar a Palestina histórica com a
população árabe local.
--E em 1997, o primeiro-ministro
israelense Benjamim Netanyahu concordou
em deixar Hebron, uma cidade, talvez tão
santa quanto Jerusalém, para a
identidade judia e para a história.
Israel e a maioria do mundo árabe
superaram algumas das suas hostilidades
para alcançar um ponto onde o conflito
violento se transformou em uma série de
relações desconexas.
Se há quatro fases ao longo do
espectro de relações
árabe-israelenses, seriam as seguintes:
guerra-quente, guerra-fria, paz-fria, e
paz-quente. Então, então Israel e seus
vizinhos árabes estariam na fase de
paz-fria da guerra-fria.
A existência de Israel como estado
não está em dúvida
Em 1882, havia 24.000 judeus na Palestina
que mais tarde se tornou Israel; em 1948,
havia 600.000; hoje, um terço da
população judia do mundo (4,8 milhões)
vive em Israel.
Na década de 1880, quando uma parcela
de judeus imigrou para a Palestina, não
havia nenhum Produto Interno Bruto (PIB).
Nos recentes anos 70, o PIB per capita de
Israel era de US$ 3.400,00; hoje, é
maior que US$ 16.000,00. Em 1998, o PIB
de Israel é de US$ 96 bilhões, com
exportações superiores a US$ 30
bilhões por ano.
Até recentemente, a vida não era
fácil para os judeus em todos cantos do
globo. No começo do século, os judeus
foram perseguidos sistematicamente,
especialmente na Europa. Suas sinagogas e
instituições foram queimadas, suas
aldeias saqueadas, e eles sobreviveram à
aniquilação como um grupo nacional
organizado.
Os judeus, especialmente da Europa
Oriental, fugiram para o Ocidente, mas
alguns deles se reuniram em torno à
idéia sionista de criar um território
nacional judeu. Seria uma alternativa à
intimidação e incorporação.
Assegurando a pátria judia, as virtudes
de improvisação, disciplina, consenso,
manipulação e sigilo prevaleceram,
superando a oposição otomana,
britânica e árabe.
Não foram princípios abstratos os que
guiaram os sionistas ou os líderes
israelenses. O que concernia à
segurança e à salvação dos judeus em
perigo teve precedência sobre a
liberdade de imprensa; o status sagrado
do exército não foi alterado. Quando
exigido, o sistema judicial é
subordinado aos interesses de segurança
nacional.
A igualdade frente da lei não podia ser
escrita em uma constituição israelense.
Os cidadãos árabes em Israel não eram
iguais aos judeus israelenses. Talvez o
maior fracasso do sionismo tenha sido sua
inabilidade para criar um estado mais
cedo. Poderia, assim, ter poupado as
vidas de 6 milhões de judeus que
pereceram no Holocausto.
O ponto decisivo na história moderna
de Israel foi a guerra de 1967.
David matou o árabe Golias. Israel
ganhou uma vitória iluminada; depois da
guerra, Israel ocupou as partes altas do
Golan sírio, toda Jerusalém, a margem
ocidental do Rio Jordão, a Faixa de
Gaza, todo o do Sinai egípcio, e passou
a controlar as vidas da metade dos
Palestinos do mundo.
O mundo árabe, israelense, judeus de
diáspora, e toda a comunidade
internacional aprendeu que o estado judeu
não estava sujeito à destruição.
Emergindo da guerra de junho, estava um
processo de 30 anos de negociação de
acordos e tratados com o mundo árabe,
dominado pelos americanos. Sob que
condições, em qual período de tempo e
que acordos de segurança teria Israel
quando devolvesse alguns ou todos os
territórios. Esses eram os pontos chaves
de negociações.
Com sua prosperidade econômica e com
o conflito árabe-israelense que
evoluindo para uma série de relações
bilateriais árabe-israelitas, Israel
está agora redefinindo seu caráter e
alma.
A agenda doméstica de Israel já não é
restrita às preocupações de
segurança. Os sistemas econômico,
político, eleitoral, social e
educacional estão sofrendo alguma forma
de escrutínio e revisão.
Assumindo sua rápida adolescência, os
hormônios nacionais de Israel estão
efervecentes.
Nos seus primeiros anos, Israel estava
baseado em uma sensação de comunidade e
de consenso; agora é limitado por uma
política sectária, por interesses
especiais, e um redefinição de sua
identidade nacional.
A imprensa, antes contida por
interesses de segurança, agora difama
seus políticos sem muita sensação de
responsabilidade. A validade das
instituições que ancoraram o estado,
como a Federação Operária de
Histadrut, e o âmbito das organizações
de inteligência do exército têm sido
debatidas abertamente. A natureza da
sociedade israelense é discutida
ardentemente, revisada e contestada.
Cinqüenta anos depois do estabelecimento
de Israel, a existência israelense não
é definida exclusivamente por seus
inimigos. Sua independência já não
está, há muito tempo, totalmente nas
mãos da confiança dos Estados Unidos.
Não há nenhum Holocausto facilmente
espreitando ao redor e Israel protege a
vida judia. O sucesso do sionismo e de
Israel habilitou o judeu da diáspora a
desfrutar de poder e direito de escolha.
Definindo isto, e a natureza de suas
relações com vizinhos árabes, Israel
está aprendendo lentamente que o poder
tem seus limites e requer conciliação.
Como Israel exercerá o seu poder e que
escolhas fará é o que determinará em
que nível estará a taça de champanha
na celebração do centenário
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Dr. Kenneth W. Stein é Professor de
História do Oriente Médio e Ciência
Política na Emory University em Atlanta,
Georgia. Suas publicações
principais incluem "The Land
Question In Palestine" 1917-1939
(1984), " The Blood Of Abraham -
Insights Into The Middle East"
(1985), escrito em colaboração com
Presidente Jimmy Carter. Em 1991, ele
escreveu "Making Peace Among Arabs
And Israelis: Lessons From Fift Years Of
Negotiating Experience". Stein
completou há pouco um manuscrito,
"Turning Point: American Involvement
in Arab-Israeli diplomacy" 1973-1977
que deverá ser publicado por Routledge
em 1999.
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