Por Richard Shumate, da
CNN Interactive Espraiando-se em um
relevo acidentado de colinas de calcário
no limite de um deserto árido, distante
do mundo, Jerusalém não deveria ser,
por si própria, um prêmio que valesse
tanta luta por milhares e milhares de
anos.
Mas a cidade foi e permanece como um
objeto perpétuo de guerra entre os
seguidores de três das maiores
religiões do mundo - o Judaísmo, o
Cristianismo e o Islamismo.
Juntas, essas religiões têm mais de 3
bilhões de seguidores, ou seja, mais da
metade da população do mundo. Para cada
uma dessas, Jerusalém e arredores são
uma parte integrante de sua história de
fé e teologia.
Para os que acreditam, Jerusalém e os
lugares santos ocupam um espaço no
coração e na mente, que pode, e
freqüentemente é, razão de confrontos.
Essa região é a casa ancestral dos
judeus, como relata o texto judeu mais
sagrado, o Torah, ou os Cinco Livros de
Moisés.
O Torah ensina que a terra foi doada por
Deus para o patriarca dos judeus,
Abraão, e seus descendentes como um
direito inato pela sua fidelidade. Em
1000 A.C., David, o rei judeu,
estabeleceu Jerusalém como a sua
capital. O seu filho, Salomão, construiu
um templo na cidade, para os fiéis
fazerem adorações e sacrifícios.
Quatro
séculos depois, os judeus foram
conquistados, sendo forçados ao exílio
na Babilônia, o seu templo ficou em
ruínas. Em 538 A.C, os judeus tiveram
permissão para a retornar, quando
construíram um segundo templo.
Mas a Terra Santa encontrava-se sob
leis não judaicas e eventualmente ficou
sob o domínio do império romano. Depois
de uma série de rebeliões judaicas, os
romanos destruíram o templo judeu em 70
D.C. e os forçou novamente ao exílio.
Os judeus não controlariam novamente a
Palestina até o fundação do Estado
Moderno de Israel em 1948.
Durante quase dois mil anos de
exílio, perseguição e genocídio, a
terra de Israel permaneceu, para eles,
como a casa do coração. Para
exemplificar a esperança do povo
judaico, ao fim do Seder (a comida
tradicional da celebração de Páscoa) a
palavra de ordem é "Ano que vem em
Jerusalém".
Foi durante a ocupação romana da
Palestina que Jesus nasceu de pais judeus
em Belém e cresceu em Nazaré. Para os
cristãos, ele é o Filho de Deus, o
Messias, cuja vinda foi profetizada em
escritura judaica.
A pregação de Jesus por vários lugares
ao longo da Terra Santa é descrita nos
quatro Evangelhos do Novo Testamento
Cristão.
Condenado por apostasia contra a ordem
religiosa da época, Jesus foi
crucificado perto de Jerusalém, pagando
pelos pecados do mundo. Os cristãos
acreditam que ele ressuscitou três dias
após sua morte, e a tradição considera
que a sua tumba era localizada onde hoje
se encontra a Igreja do Santo Sepulcro.
Embora a Terra Santa tenha
dado a luz ao cristianismo, permanecendo
como centro da sua história, a fé criou
raízes em outros locais, particularmente
na Europa. O cristianismo é uma
religião minoritária na
Terra Santa, e, comparada aos judeus e
muçulmanos, os cristãos dominaram a
área por uma período relativamente
pequeno de tempo.
Depois que o imperador romano Constantino
adotou o cristianismo em 313 D.C., a
Terra Santa esteve sujeita a poder
cristão durante três séculos.
Mas no século VII, logo após a morte
de Maomé - que criou o islamismo e que
os muçulmanos acreditam ser um profeta
de Alá, o Deus islâmico - eles
conquistaram Jerusalém.
Com exceção de pequenos períodos nos
séculos XI, XII, XIII, quando as
Cruzadas da Europa conquistaram partes da
Terra Santa, forças muçulmanas
mantiveram o poder na área, até que o
Império Turco-Otomano foi desintegrado
após a Primeira Guerra Mundial e os
britânicos assumiram o controle da
região.
Muçulmanos, embora últimos na
história, tiveram a hegemonia na Terra
Santa por mais de 14 séculos. Também,
eles reivindicam uma herança pelo
patriarca Abraão, contudo por uma
linhagem diferente. E embora a vida e os
sacerdócio de Maomé fossem centrados na
península arábica, Jerusalém tem um
significado religioso particular para
muçulmanos.
A tradição muçulmana tem início em
622 D.C.. Dez anos antes de sua morte,
Maomé fez uma jornada de Meca a
Jerusalém, onde ele ascendeu ao céu em
um corcel alado para conversar
diretamente com Alá - um evento que é
chamado o Miraj. Maomé voltou então a
Terra para distribuir sabedoria divina
aos seus seguidores.
Os
muçulmanos ergueram o Qubbat Al-Sakhra,
ou o Domo da Rocha, um santuário
construído em 691 D.C., sobre o Templo
do Monte em Jerusalém. É o lugar do
qual dizem que Maomé subiu ao céu. É
considerado o terceiro local mais sagrado
no islamismo, logo após das cidades
árabes de Meca e Medina.
Na base do Templo do Monte está o Muro
das Lamentações, o último remanescente
do segundo templo dos judeus que foi
saqueado pelos romanos. É o local mais
santo no Judaísmo.
A aproximadamente um quilômetro de
distância está a Igreja do Santo
Sepulcro que a tradição Cristã
assegura ser o local do enterro e
ressurreição de Cristo.
A Velha Jerusalém, parte da cidade onde
esses locais são localizados, é
dividida em áreas muçulmanas, judaicas,
cristãs e armênias (os armênios foram
os primeiro a adotar cristianismo
coletivamente como uma nação, e eles
reivindicam ser uma das presenças
contínuas mais antigas na Cidade Santa.)
E ainda, as divisões não são exatas.
Há igrejas católicas na área
muçulmana; sinagogas na área armênia;
mesquitas na cristã; e uma igreja
armênia na muçulmana.
Jerusalém, então, serve de uma
ilustração de como ela e Israel,
realmente, permanecem com um mosaico de
fé. E enquanto cada lado pode não
necessariamente concordar a quem Deus, ou
Alá, de fato deu este lugar,
concordariam que o Todo-poderoso ordenou
para a Terra Santa uma importância que a
deixou em foco durante a era antiga e
moderna.
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